O Atlético-MG viveu recentemente uma verdadeira prova de fogo em seus compromissos, mostrando duas caras completamente diferentes dentro de campo. Em um duelo que marcou a primeira vitória da equipe na temporada do Campeonato Mineiro, o Galo conseguiu uma virada espetacular no segundo tempo contra o Cruzeiro. O resultado positivo afundou o rival, comandado por Tite, em sua segunda derrota consecutiva na competição. Os técnicos mandaram a campo o que tinham de melhor, apostando nos jogadores que já vinham ganhando ritmo, mas o começo do clássico na Arena MRV não foi nada fácil para os donos da casa.
O zagueiro Alonso acabou falhando feio na marcação do gol celeste. Esse erro pontual fez a torcida atleticana perder a paciência e aumentou a pressão sobre as atuações do defensor. Do outro lado do campo, o ídolo Hulk parecia completamente apagado. Ele pouco tocou na bola durante a etapa inicial, sofrendo com a falta de criatividade e de oportunidades geradas pelo seu próprio time. A conversa no vestiário de Jorge Sampaoli, porém, mudou a história do jogo. Hulk chamou a responsabilidade, liderou a reação alvinegra com ótimas jogadas e guardou um golaço no segundo tempo, coroando a virada que também contou com bola na rede de Bernard.
Protagonistas e Vilões do Dérbi
Quem roubou a cena de forma muito positiva foi Dudu. O atacante se movimentou o tempo todo, infernizando a defesa rival nas duas etapas da partida. Ele foi a peça-chave nos dois gols do Atlético, construindo toda a jogada do primeiro pelo lado esquerdo e tendo a inteligência tática de puxar a marcação no lance do segundo. O placar só não se transformou em uma goleada porque Cássio fechou o gol do Cruzeiro. Com defesas dificílimas, o veterano evitou um desastre ainda maior para a equipe azul e garantiu uma nota 9.0 em sua avaliação.
A Raposa ainda flertou com o empate nos pés de Arroyo. O atacante saiu do banco na segunda etapa, mas acabou desperdiçando uma oportunidade inacreditável. Ele perdeu um gol feito, praticamente debaixo da trave, jogando fora a única chance real de igualar o marcador. O desempenho dominante do Galo no ataque refletiu nas notas pós-jogo, com Hulk sobrando com um 9.5. O meio-campo também mostrou força com as atuações de Victor Hugo (8.5), Maycon e Franco, ambos avaliados com 8.0. Do lado cruzeirense, enquanto William e Kaio Jorge tentavam remar contra a maré com boas atuações (8.0), o técnico Tite e peças como Mateus Pereira não passaram de um modesto 6.0.
O Balde de Água Fria Rubro-Negro
A empolgação conquistada no clássico, no entanto, esbarrou em uma dura realidade no compromisso contra o Flamengo. Em um jogo truncado, o time carioca fez 2 a 0 e expôs algumas das feridas atleticanas que ainda não cicatrizaram. A ironia da partida é que o Galo teve o controle do jogo na maior parte do tempo. Os visitantes dominaram as ações com 58% da posse de bola contra apenas 42% do Flamengo. Além disso, ambas as equipes finalizaram dez vezes e o Atlético cobrou mais escanteios, cinco contra apenas um dos donos da casa. A diferença gritante esteve na eficiência.
O Flamengo, estruturado com nomes como Léo Moura, Héctor Canteros e Luiz Antonio, foi letal. Das dez tentativas rubro-negras, seis foram direto no alvo, exigindo quatro defesas difíceis do goleiro atleticano. O Galo, mesmo com a bola no pé, só conseguiu acertar a meta adversária três vezes. A partida foi extremamente pegada, resultando em quatro cartões amarelos para o time carioca e dois para os mineiros. O clima de tensão se arrastou até o fim. Já nos acréscimos, aos 49 minutos do segundo tempo, Amaral fez uma falta dura e foi punido com amarelo, permitindo que Luan tivesse uma última chance em cobrança de falta para o Atlético. O esforço foi em vão. O apito final aos 50 minutos selou a frustração alvinegra diante de um adversário que soube sofrer e matar o jogo nas horas certas.